sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Última Utopia de Cinema

O Mar Exílio foi e tem sido uma experiência e tanto. Pensava, desanimado por um processo de finalização caótico, de constantes desacertos, que mesmo assim tudo tinha valido a pena pelo aprendizado das filmagens e que o sonho do filme se resumiria a estas lembranças. Mas ele vem dando constantes sopros de vida e chegando a lugares que, no começo de tudo, achava que poderia chegar. Falando em começo, tinha certeza que para o filme funcionar, a equipe e os atores precisavam entrar nele com força, algo muito maior que serem competentes, realizarem bem suas funções, era uma busca relativa à razão pura, anterior a qualquer experiência, idéias que casariam bem a um grupo de estudantes realizando seu primeiro filme em película e último projeto da faculdade de cinema. A mágica utopia da juventude, e ainda mais, a mágica utopia de jovens no caminho da arte, foi o botão que procurei apertar em cada um que fez parte do Mar Exílio. São essas possibilidades que tanto me atraem em um projeto chamado Sal Grosso, iniciativa do Festival Brasileiro de Cinema Universitário, que mistura estudantes do Brasil inteiro para essa missão de privilegiados que é fazer cinema. É por onde vou rodar meu segundo curta em película, onde vou viver, provavelmente, a última utopia de cinema. Isto porque os projetos após este, longe deste contexto de estudantes, longe de temas mais líricos, longe da juventude, e perto daquele lugar onde naturalmente se chega: a funcionalidade da vida, a soma de experiencias, a idade adulta. Ou seja, quando aquele botão da juventude não funciona mais.

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